Historical background - Fundo histórico

    

Tão importante, no seu auge, quanto até mesmo Roma ou Jerusalém, Santiago de Compostela e as estradas de todas as partes da Europa que levam até lá testemunharam, por cerca de 1000 anos, talvez a mais importante e certamente a maior peregrinação do Cristianismo. Goethe observou que, de certa forma, a Europa tomou forma por causa dela. E foi Dante quem definiu “peregrino” como “aquele que visitou a casa de São Tiago”.

   

Além disso, recentemente, o número de peregrinos pegando o caminho para Compostela, local de guarda das relíquias do apóstolo St James, ou Santiago, como ele é conhecido na Espanha, tem crescido constantemente. Usando a vieira-de-São-Tiago como símbolo de identificação, e sempre em busca de algo inexprimú“el ou desconhecido, os peregrinos ainda chegam a pé, a cavalo ou em bicicletas ... se juntando aos milhões de fantasmas dos seus antepassados peregrinos que, durante séculos, trilharam as mesmas estradas e vias antes deles ... pegadas no pó... caminhando dia após dia ... alguns de tão longe como Holanda, Paris e Alemanha ...

   

Eles vêm do mundo todo – Brasil, México, África, Escandinávia, Japão e também da Europa. E de todas as formas e tamanhos: devoto, agnóstico, ateu; jovem, meia-idade, velho; rico, pobre, executivos, profissionais liberais e operários igualmente. Dedicados e nivelados igualmente pelos esforços do Caminho, eles suam e andam penosamente montanhas acima, seguem trilhas pelas florestas e pelas castigadoras terras de “meseta”, debaixo de sol e chuva, guiados sempre por uma seta amarela, pintada em pedras ou árvores. No calor e na exaustão, na excitação e no desespero, na sujeira e no mau-cheiro, eles passam sob céus enormes, através de amplas paisagens e de vilas abandonadas de outras épocas; descansam nos numerosos abrigos para peregrinos espalhados ao longo do caminho ou na sombra de uma árvore, em conventos e mosteiros ou no frio de uma das muitas igrejas romanescas que brotaram ao longo do Caminho no seu auge. Com bolhas, dor nas juntas e os ombros distendidos pelo peso das mochilas, eles viajam em direção Oeste, seguindo suas sombras matutinas ao longo da Via Láctea ... no frio congelante do Inverno, no aroma refrescante da Primavera, na fornalha do Verão ... Cada peregrino é diferente, cada um faz do Caminho sua experiência individual. Ainda que todos estejam curiosamente unidos por isso, compartilhando de algum poço comum de experiência, moldado e destilado ao longo dos séculos.

   

O que os faz partirem para uma peregrinação? O que é isso que eles estão buscando no final de um século cínico e desanimador e no começo de um novo milênio? Será que a procura deles se diferencia em muito da dos peregrinos de 1000 anos atrás? Qual é o mistério dentro dessa lenda viva e, se é que pode, o que pode ser aprendido com isto? E o que acontece a um homem ou a uma mulher que caminha às vezes mais de 2000 kilômetros para visitar um templo e cair de joelhos diante de supostos ossos de um suposto santo? E, por quê, de algum modo especial, isso tudo é ainda mais comovente e admirável ... ?   

    

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